No ambito da cadeira de Projecto foi-nos proposto a criaçao de um objecto - o “tapete” - que delimita-se um espaço e define-se um ambiente, no sentido de proporcionar uma experiência.
O projecto teve como local de eleiçao a entrada dos SA (serviços academicos) local sem conforto e sem sinalizaçao.
"Estamos certamente rodeados por muitos objectos estúpidos, mas quando se trata de abrigar, os guarda-chuvas devem estar entre os mais estúpidos. Os guarda-chuvas (aquilo a que os alemães chamam Regenschirme – o que em inglês seria “rain screen”) são geringonças relativamente complicadas que se recusam a funcionar justamente quando são necessárias (quando está vento, por exemplo); a protecção que nos dão é inadequada, são inconvenientes de se transportar e geralmente ameaçam espetar os olhos de alguém que não esteja também equipado com um guarda-chuva. Já para não falar do facto de que os guarda-chuvas são frequentemente esquecidos ou levados por engano. Há certamente modas nos abrigos, mas não tem realmente havido avanços técnicos desde os antigos egípcios. De facto, quando a bíblia diz “O Deus Eterno é o teu refúgio”, está a ser blasfémico comparando Deus com este tipo de coisas. Quando se vê a velocidade e facilidade com que as tendas gigantes do circo são montadas e desmontadas, pode-se pensar que não estamos assim tão mal no que diz respeito aos abrigos: Não é culpa das pessoas que não saibam fazê-lo como deve ser, e cedo irão aprender quando forem acampar. Mas quando se consideram os pára-quedas (o que os alemães chamam Fallschirme – que em inglês seria “fall screen”) volta-se à opinião inicial acerca da estupidez dos abrigos. Ali se está a saltar de um avião e o vento abre de repente o pára-quedas. Mas assim que se chega ao chão, tem-se o trabalho infernal de voltar a dobrar o pára-quedas. Isto ilustra o que é tão descaradamente estúpido acerca dos abrigos e acerca das tendas em geral (sendo as tendas talvez a verdadeira essência do abrigo): Desde os antigos egípcios, os arquitectos (e os designers de tendas em geral) não deram a volta ao facto de que estão a lidar com o vento e não com a gravidade. O facto de que o perigo dos abrigos, como as tendas, não é caírem mas antes serem varridos pelo vento. Isto irá mudar... "
Flusser, Vilém, “Shelters, Screens and Tents”, in The Shape of Things – A Philosophy of Design, London, Reaktion Books, 1999, pp.55-57

Um comentário:
ficou engraçado =D
nao sabia que tinhas um blog
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